sexta-feira, 21 de junho de 2013

Samba da Cartola e a sua primeira exibição


Depois de uma longa edição, onde a busca por uma linguagem que fosse popular e dinâmica, marcamos um encontro com Serginho Aguiar, Walmir Júnior Danny Alves e Toninho Geraes.

Motivo: apresentar o primeiro episódio da série “Na Roda do Samba”, “Samba da Cartola”.

O local não podia ser nada muito formal mesmo. Bar do Ernesto, na Lapa.

Chegamos eu e André di Kabulla logo após a grande exibição de Neymar e David Luiz contra o México. O Bar do Ernesto já não tinha mais clima de futebol e a apreensão era grande.

Qual será a impressão deles?

Como eles vão receber essa história?

Foi chegando um a um. Primeiro Toninho Geraes, depois em sequência, Serginho, Danny e Walmir.

Durante as muitas exibições André não se continha.

Levantava, sentava, olhava, bebia, trocava de lugar. Sempre tentando buscar um gesto, um sinal.

Eu, entre um gol do jogo Itália X Japão, também tentava prestar a atenção nas reações de cada um.

No fim da cada exibição do episódio, o que vimos foram olhos mareados, braços arrepiados e sorrisos. Mas do que qualquer palavra os gestos falavam por si só.


Os agradecimentos de todos e o lançamento marcado para domingo dentro do Samba da Cartola nos deram a certeza que os dias e as noites de debates, estudo e discussão não foram em vão.

Eduardo Lurnel é codiretor da Série "Na Roda do Samba".



terça-feira, 18 de junho de 2013

“Feitiço do samba - Filmagem”


Meu verdadeiro encontro com o samba, se deu quando comecei a freqüentar a umbanda, religião tão brasileira que colocando um cavaquinho em alguns pontos (louvores, cânticos) se transformariam em samba, a influência de um com outro é forte, pois ambos falam do cotidiano.

Como diz o grande mestre Toninho Geraes “é que o samba pega que nem feitiço” esse feitiço mágico, popular, de ver a alegria nos olhares por extravasar a nossa condição de simplicidade e povo; fazem com que o samba seja um dos ritmos populares mais cativantes que temos no Brasil.

A ansiedade na noite que antecedia a filmagem era enorme, toda equipe estava eufórica e apreensiva ao mesmo tempo. Já havíamos seguido a linha de pensamento exata que imaginávamos, mas se tratando de série documental nunca sabemos o que encontrar, histórias, personagens, musicas, etc...

Chegamos cedo para encontrar a Danny Alves, que logo nos apresentou aos dirigentes da roda, ouvimos suas histórias de como havia sido criado a roda e nesse momento a ansiedade passou, dando lugar a uma felicidade tremenda, havíamos lincado o prazer com o trabalho, esse projeto estava seguindo a linha de pensamento exata que imaginamos.


A música que embalava nossa câmera e som era uma mistura de pontos, com sambas de raiz.

A musicalidade da roda foi primordial para o meu trabalho no som, o contato com antigos sambas me fascinava e levava a ver que esse projeto não tinha como dar errado.


Felipe Milhouse é diretor de som na série “Na roda do Samba”



foto by Danny Alves

A Cartola


Um dia questionei: Existe uma essência na forma que esses camaradas falam! Bem perto de uma musicalidade, é um jeito, tem as gírias e como contam... "causos" da vida.


Por morar bem perto do bairro de Ramos, na Zona Norte do Rio, de onde é aquele Samba, o Cacique, roda antiga, já que nascido e criado. 

Esse jeito também faz parte de mim, pode então imaginar a minha busca, fora as histórias, que delas altamente extraordinárias, nem cabe aqui mencionar, que não se encontram em outras partes dessa cidade. 

Numa noite dessas, estávamos eu e Eduardo Lurnel o Duda, em Realengo. Era uma roda, no começo foi manso, reconhecimento do terreno. Não demorou muito, copos e latas nas mãos. 

Observávamos as que sambavam, 
as que sorriam, 
as que cantavam, 
as que queriam, ora o samba. 

Registrar uma roda de samba, como “Partido Alto” filme de Leon Hirszman. O Duda deu a ideia, eu disse: Então eu acho que temos um sério problema aqui, um problemão! Rimos e bebemos a noite toda.

A roda “Samba da Cartola” apareceu através de Danny Alves, uma fotografa conceituada nesse meio dos bambas. Apresentados aos dirigentes da roda, oferecemos as condições para a realização da série “Na roda do Samba” onde a roda deles que fica no Catete, seria o episódio inaugural. Não demorou muito, fomos interrompidos, mão sobre os ombros, na outra uma cartola. Um sujeito que havia chegado naquele instante, colocou moedas, não o reconheci de imediato, acho que o Duda desconfiado, também não, pensei que era a distância, o homem era simpático, abrimos carteiras, todos contribuíram. Já do lado do bar... um minuto, Toninho Geraes? 

O Geraes é autor de muitas músicas de Zeca Pagodinho, também aquela “Mulheres” na voz do Martinho. Agora sim, não demorou muito, copos e latas nas mãos, como pede a boa educação da malandragem. De resto é história...


Andre Di Kabulla é produtor e diretor da série “Na roda do Samba”

Dirigentes: Serginho Aguiar, Walmir Junior e Pc-Bambas do Catete “Samba da Cartola”.

“Na Roda do Samba” nasceu no Samba




Sempre tive a necessidade de contar histórias que retratavam o cotidiano do Rio de Janeiro. As minhas andanças e mudanças pela cidade sempre me provocaram a entender melhor cada bairro, cada rua.

 Muitas idéias já foram discutidas e bebidas. Algumas idéias possíveis e outras inexequíveis.

Ao mesmo tempo, o amigo e diretor da série, André di Kabulla, sempre expressou o seu desejo de falar sobre samba e mostrar para o mundo o jeito malandro de ser do subúrbio carioca.

Assim juntou o samba com a vontade de sambar.

Estávamos em Realengo na roda de samba chamada “Terreiro de Criollo”. Fomos motivados a ir até lá por Márcia dos Santos, Andreia dos Santos e meu irmão Pedro Pires Vieira, encaramos a viagem e descemos no terreiro.

Minha condição física já não era das melhores, a bebedeira do dia anterior ainda maltratava o meu olhar e pesava sobre minhas pernas.

Entre cervejas, sambadas e risadas, construímos a ideia da série. Falar sobre o cotidiano das rodas de samba do Rio de Janeiro. Uma série curta que mostrasse os frequentadores, organizadores compositores e as peculiaridades das rodas de samba espalhadas pelo Rio de Janeiro.

Já na semana seguinte a série entrava na pré produção do programa piloto. “Samba da Cartola”.



Eduardo Lurnel é, produtor e codiretor da série na "Na Roda do Samba".